domingo, 9 de novembro de 2008

procurando a espada do meu salvador



Este tópico está aqui para que o meu salvador leia. Assim como o messias dos judeus, existem relatos tão antigos quanto o tempo sobre as suas características principais e é preciso que ele se encaixe nessas previsões milenares para que eu possa perceber, ou melhor, para que o destino me possa fazer perceber que Ele chegou. O texto pode provocar esse destino.

Não existe nenhuma previsão sobre a aparência do meu messias. A tradição conta, contudo, que ele será capaz de me fazer perder a dificuldade que tenho para produzir tudo o que meu intelecto é capaz de fazer. Terá gostos semelhantes aos meus, e passaremos dias inteiros juntos discutindo sobre livros, cinema, arte, filosofia, humanidades e direito. Saberá cantar todas as músicas que sei cantar e recitaremos poesia juntos. Ele será inteligente e liberal. Sua presença na minha vida fará com que eu chegue aos meus objetivos maiores: construir uma carreira de intelectual engajado. É possível que Ele queira a mesma coisa para a sua vida, mas a tradição nisso não é certa, afirmando apenas "o destaque absoluto do messias em tudo o que se dedicar".
O meu herói e salvador messiênico está em algum lugar por aí. Basta esperar por sua chegada.



sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O Ateneu, releitura e capas

O segundo livro que decidi comentar (ver postagem anterior) é uma obra nacional: O Ateneu. Achei-o à venda em uma banca de jornal por cinco reais. Edição simplíssima, de folhas finas, aproveitadas nas margens até as últimas consequências, com uma pintura do artista russo Valentin Alexandrovich Serov como capa. É uma releitura, o romance fez seu marco nos meus 13 anos.

O romance e o começo da minha juventude se confundem. Lendo-o, agora, quase ressuscito o garoto que fui, reativando aquela antiga subjetividade de sonhador, de alienígena, de estrangeiro. Para o protagonista Sérgio o Ateneu é uma crônica de saudades, da mesma maneira o é para mim. Agora releio o livro e sinto as antigas paixões que sentia, o romance acabou por se tornar uma maneira de recordar sentimentos do passado.

Um pouco sobre a capa da minha edição:

A imagem de capa da minha edição é uma pintura que retrata dois meninos na sacada de um prédio a observar a costa. O primeiro garoto admira a paisagem, enquanto o segundo observa o espectador, um pouco de soslaio. A imaginação, personalidade, universo e comportamento infantil acabam por ser centro da pintura. Boa parte da graça está nas personagens em cena, como de costume em Serov que é capaz de manter uma técnica exemplar nos cenários ao mesmo tempo em que cria expressões complexas nos seus personagens. Tanto a observação elegante que o garoto faz, com a mão no queixo, quanto o céu à frente dois mantém o mesmo nível de expressão em complexidade.

Decidi pesquisar e descobri que uma outra edição nacional adotou a gravura de uma edificação escolar. Entre a edificação e o Serov, prefiro o segundo. A gravura de uma edificação escolar à moda do prédio do Ateneu teria deslocado minha atenção dos alunos para a escola, de Sérgio (protagonista do romance) para o Ateneu. Ou seja, teria me atentado menos nas construções psicológicas menores e mais no ambiente microssocial da instituição, e desligado-me ainda mais das crianças e jovens que constroem, com sua criatividade, a realidade interna das instituições de ensino.

Uma outra capa que encontrei traz uma pintura que retrata um grupo de garotos, com idades diferentes, envolvidos na leitura de um bilhete que o mais velho traduz em voz alta. Não reconheço o artista, mas chego a sugerir que é provavelmente do começo século XX e atirando realmente às cegas, notavelmente realista. Seria adequado para a capa de um livro de Dickens. A condição social desses garotos é muito diferente da que temos no Ateneu e as roupas que eles usam revelam que são garotos libertos, soltos no mundo.

(..)

Termino com os comentários sobre as capas do Ateneu por aqui, o tempo que passei longe do blog, por força maior, fez com que me distanciasse demais das anotações que tinha sobre o livro. Minha memória das impressões do mesmo também já fugiram. Quem sabe reabra este tópico no futuro. Com o avanço no estudo de filosofia aos poucos me tornarei ainda mais capaz para criticar literatura, o que pode fazer da pausa uma boa medida.

Contudo, posto algumas anotações sobre as personagens que tinha no meu caderno, sondagens não muito profundas, assumo. Com o tempo melhorarei. Invejo os estudantes de psicologia, por exemplo, porque as técnicas de análise permitem um estudo mais apurado de personagens da literatura (assunto que pretendo fazer virar uma postagem em breve), mas como faço sempre nessas horas, repito a mim mesmo que sou filósofo e aí que deve residir a minha graça. A meu favor também conta um princípio vingente desde os idos iniciais da arte moderna: a liberdade cada vez maior do intérprete. Aí vão as anotações:

"Aristarco: imenso pedagogo, hipócrita, autoritário, mantém o jovem Franco em constante humilhação. (...) Na sua aula sobre astros, Sérgio faz uma analogia entre as mãos de Deus e as de Aristarco ao mover os planetários". "moralista, faz longo discurso sobre a moral" "representa a decadência moral da sociedade de então, seu falso moralismo". (...) "lê livros com as notas dos alunos em ritual aterrador" (...) "é representação da pedagogia de então"

"Sanches: que já é púbere, pede beijo a Sérgio" "Sérgio o repreende e termina a amizade, começando um longo declínio em suas notas que dependiam da ajuda de Sanches" (...) Aristarco lê em humilhação pública: "Sr. Sérgio tem degenerado" Sérgio compara Aristarco a Zeus."

Franco: Aristarco o chama de "o porco, o grandíssimo porco"

"filho de Aristarco se nega a apertar a mão da princesa, é republicano como o autor"




(suspenso)

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Retorno à literatura, anotações sobre J.Verne


Abandonei a literatura universal por quase dois anos. Agora voltei a ela e decidi novamente cumprir a meta de sempre possuir um romance em mãos e ler tantos quantos forem possíveis entre uma e outra atividade das faculdades. A maior dificuldade será financeira, não sei como comprarei tantos livros. Por isso, não poderei cometer o capricho de os escolher a dedo -- lerei os que a sorte lançar para mim.

Abusarei das bibliotecas das universidades, dos colegas, dos livros eletrônicos, recorrendo raramente às livrarias. Que seja, como disse Júlio César antes de se dirigir à Roma: "alea jacta est". A sorte está lançada!


As anotações:

O primeiro que caiu nas minhas mãos é proveniente de um furto no qual fui partícipe, instigando um amigo a roubar o acervo de sua escola particular de nível médio. Trata-se de A volta ao mundo em 80 dias, de Júlio Verne.

É uma vergonha, confesso, que este livro tenha caído em minhas mãos somente agora. É dessas leituras básicas que devem ser feitas aos quinze anos.

Vários livros de Júlio Verne foram adaptados para o cinema, desde o começo da sétima arte até recentemente. Muitos de seus romances possuem elementos que são característicos do cinema, como a aventura e a ação. Perseguições, combates à mão e arma de fogo, infiltrações, e outros eventos que requerem descrições voltadas para o desenrolar físico da ação, são presentes em suas obras, e em muitos autores que aparerentemente o influenciaram, como Alexandre Dumas (pai). A literatura americana é mesmo um filho direto da literatura inglesa, quem sabe essa linha de descendencia não chegou até o cinema americano?

Phileas Fogg (protagonista do livro) é muito bem caracterizado por este diálogo, que se passa na Índia inglesa, no meio de uma floresta, quando seu grupo decide resgatar uma moça que seria sacrificada em um ritual de adoradores da deusa Kali:

-Ora, o senhor tem um bom coração! -- disse sir Francis Cromarty

-Às vezes -- respondeu simplesmente Phileas Fogg. -- Quando tenho tempo.

Fogg é um autômato. Um espírito das "ciências exatas", positivista talvez. Cumpre horários regularíssimos, inspirados nas badaladas do imenso relógio da sua sala. É também um misterioso (parte de seu mistério a trama nem soluciona), não se sabe a origem da sua fortuna, como conhece tantos detalhes sobre geografia e navegação, nem tão pouco quais sejam seus familiares. É anti-social. Frequenta um único club londrino, o Reform Club, onde lê os jornais diários, almoça e joga uíste até próximo da meia-noite. Por mais discreto e distinto que seja, é suspeito de ser autor de um furto milionário no banco nacional.

É no Reform Club que se envolve com a aposta, central para a trama de Verne: dar a volta ao mundo em 80 dias, sem um minuto a mais e nem um minuto a menos. O londrino pretende executar o intento fazendo uso dos meios de transponte da época: navios e linhas férreas. Termina por utilizar também infinitos meios alternativos como paquetes, iates, embarcações comerciais, trenós e elefante.

Contra o inusitado inglês contam fatores como: concordância milagrosa das horas de partida e chegada, a possibilidade de quebras das máquinas, de tempos ruins, de neves, descarrilhamentos ou imprevistos de qualquer ordem que significariam atrasos capazes de por tudo a perder. Além disso, procurado pela polícia em todos os continentes, o inglês terá que despistar um polícial em seu encalço, o agente da polícia metropolitana "inspector Fix".

Logo no início do livro somos apresentados a Passepartout (traduzindo: pau-para-toda-obra) que será seu criado e ajudante toda a viagem. Antigo malabarista de circo, Passepartout defenderá seu patrão com o uso de seus dotes físicos; é também um desastrado, será parte do fator sorte a contar contra Phileas Fogg em toda a viagem.

Logo percebemos que estamos em uma corrida contra o tempo e que o enredo será curto, ágil, e que as expectativas do leitor voltam-se quase completamente para a incerteza da realização ou não do feito por Phileas Fogg e das peripécias que se envolve no caminho. Os personagens são divertidos, inusitados e os dialógos bens construídos; contudo é bem diferente de romances mais calcados na trama e nas personagens. Verne não é estudioso do psiquismo humano, suas atenções voltam-se para o imaginário e a aventura. Os cenários são importantes, mas o livro não possui descrições alongadas dos mesmos, com grandes detalhes geográficos. Elas existem, mas não são o centro do romance, como se pode acreditar pelo título do livro. Elas cumprem apenas o seu papel. Colônias e ex-colônias britânicas serão cortadas rapidamente, onde se passarão os principais eventos do romance. É um mundo interligado pela indrustrialização, colonialismo e pelas máquinas à vapor.

Indispensável para qualquer pessoa que pretenda conhecer ao menos as bases da literatura universal, Verne e a Volta ao Mundo é uma leitura mais que prazerosa, confiram.

domingo, 17 de agosto de 2008

O ator favorito

O ator favorito não foi uma escolha que fiz através de justificativas extensas, por isso não procurem forte embasamento crítico na minha escolha por Anthony Hopkins, meu favorito desde sempre.

De lá para cá meu senso crítico evoluiu bastante, passei a assistir filmes americanos por puro entretenimento e apego a sua linguagem de fácil compreensão e reprodução, mesmo assim, Hopkins continua a despertar o mesmo fascínio de quando lhe admirava com meus olhos de púbere. É como a primeira paixão.

Os mais eruditos escolhem atores do cinema clássico, do cinema europeu ou ainda do cinema independente. Eu escolho um do cinema popular americano porque nunca deixei de apreciá-lo e de ressaltar a sua qualidade maior: ter como espectador o grande público. É inegável que a linguagem hollywoodiana precisa se reformar da mesma maneira como é inegável que produziu grandes filmes. Minha escolha, Anthony Hopkins, é a escolha de um ator com relativa visibilidade que contagiou as massas e parte dos críticos com os seus trabalhos.


O Oscar para
Anthony Hopkins veio com O Silêncio dos Inocentes. Grandes papéis, claro, foram Picasso, Charles Dickens e Nixon em três filmes biográficos; o mordomo workahollic no filme The Remains of the Day (o mordomo obsessivo era um dos atributos impagáveis do excelente filme de James Ivory) e o médico Frederick Treves no filme O Homem Elefante de David Lynch (1980). Sem falar, claro, das suas inúmeras participações como ator coadjuvante. Dos filmes mais recentes com Hopkins, admiro especialmente Hearts in Atlantis, com roteiro baseado em Stephen King.

Com uma seriedade inconfundível, Hopkins sempre atribui maior profundidade a seus personagens, dando-lhes um pouco do seu natural mistério. Sua voz é fascinante. Seus olhos sempre parecem fitar alguma coisa além no espaço. Estilo inconfundível, inspira admiração, como aquela que temos quando estamos na frente de um grande sábio. Procuro assistir qualquer filme que o tenha escalado no elenco.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

O idealismo de Platão e a Beleza


Este trecho de Platão é especial para mim. Observar a beleza fora das formas conhecidas é o sonho de qualquer humanista, como o de qualquer artista ou filósofo.

Eis o trecho:
Simpósio, 211

"que pensar, então, se fosse dado a alguém ver o belo em si, íntegro, puro, sem mescla, e pudesse mirar não uma beleza contaminada de carne humana, de cores humanas e tantas outras frioleiras mortais, mas a própria beleza divina invariável?"


continua:
"não compreendes que somente nessa altura lhe será dado, mirando a Beleza pelo meio certo de mirá-la, dar a luz não simulacros de virtude, visto que não está em contato com um simulacro, mas virtude verdadeira, pois está em contato com a Verdade?"

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Meu lado oriental


Eu sou filótsofo e por isso profundamente ligado à cultura ocidental, vivo submerso na mais profunda tradição clássica. Leio filósofos gregos o dia inteiro. Sou discípulo de Platão e de Aristóteles.

Contudo, sempre guardei o devido espaço para o Oriente e já o deixei influenciar meu pensamento muitas vezes. Li os principais autores japoneses e já li alguns chineses contemporâneos (estes mesmos que vivem o drama da abertura do país). O nipônico Yukio Mishima quase me inspirou um suicídio aos 16 anos com o seu livro O Templo Dourado. Os mangás e animes japoneses me marcaram também, para mim são melhores que os comics americanos. Se um dia eu produzir qualquer literatura, terei em Mishima e nos mangás uma inspiração notável. Meu mangá favorito é EDEN.

Os orientais nos ajudam a entender a nós mesmos. Eles são puros, principalmente, puros da cruz, foram pouco tocados pelo cristianismo. Os séculos que nos separam deram a eles uma identidade individual e social muito diversa. Só recentemente foram integrados à tradição das instituições políticas greco-romanas, eles servem de estudo comparativo quando se procura saber o que realmente é o humano.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Na parede da memória!


Estamos em 2008. Para muitos homossexuais vive-se no ano de 1968 em que as pessoas simplesmente não podiam se tocar na rua. Os homossexuais são proibidos de demonstrar afeto em ambientes públicos e as expressões que acontecem ainda escandalizam. Eu sou homossexual, já sofri barras imensas por causa disso. Ainda hoje somos um grupo muito incompreendido, perseguido e preconceituado.

Quando em 1970 Belchior escrevia sua música chamada "como nossos pais", eternizada na voz de Elis Regina, ele denunciava o fato dos jovens não poderem expressar afeto livremente. Naquela época se vivia as transformações nos valores sexuais. Era um pedido por liberdade, em um tempo em que as relações dos jovens heterossexuais eram barradas e proibidas. Uma luta contra o falso-moralismo.

"Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço,
O seu lábio e a sua voz..."

O comportamento da maioria dos jovens homossexuais ainda é esquivo e extremamente cuidadoso, evitando espaços públicos sempre. Isso ocorre também nos arredores da escola e em suas casas na presença de suas famílias. É um jogo de gato e rato que prejudica a todos nós que somos gays, criando guetos urbanos, medo, acrescentando pólvora à nossa adolescência. E confusos, muitas vezes nossas famílias não conseguem nos ajudar, o resultado final disso pode ser uma tragédia. Abertamente ou de forma velada, as famílias e comunidades toleram e até incentivam a discriminação, o abuso e a violência contra homossexuais. Como relatado em uma publicação científica recente do GRUPO PELA VIDA/SP, "o adolescente homossexual vive o segredo doloroso, a incompreensão que oprime e discrimina. Como não é acolhido, inicia suas atividades sexuais de maneira clandestina, correndo riscos maiores de se expor a problemas típicos dessa idade, incluindo drogas, suicídio, violência"

Se estamos em nosso Maio de 68 então devemos nos comportar como tal e passar a lutar pela presença da homoafetividade em qualquer ambiente. Não há nada de escandaloso ou imoral na relação de dois jovens do mesmo sexo. A homossexualidade é uma constante humana, uma forma legítima de expressão da afetividade e da sexualidade. Não é justo que os jovens homossexuais vivam a ancestralidade da moral, que proibia o namoro em público, enquanto os jovens heterossexuais gozam de todos os direitos de expressar publicamente seu afeto. Uma moral sexual justa e igual para todos é uma vitória de uma sociedade civilizada.

terça-feira, 29 de julho de 2008

SPY VS SPY (espionagem empresarial)

O buraco de Daniel Dantas é mais em cima. Os jornais têm se confundido e se agredido. Carta Capital acusou diretamente O Estadão e a Folha de terem agido a favor de Dantas em duas reportagens. FOLHA teria publicado informações sigilosas sobre a investigação de Dantas, ESTADAO teria tentado fazer de Dantas uma vítima de espionagens e conluios originados na Telecom Itália.

É fato que a Telecom Itália investigou Dantas e Dantas a investigou através da Kroll.
A procuradoria de Milão denunciou o grupo de Giuliano Tavaroli esta semana.

"mais talentosos no mister, os italianos não somente capturam o arquivo da Kroll, mas também a rica documentação em poder de Carla Cico, conterrânea a serviço do Opportunity. "

O final dessa confusão no Brasil será dificilmente a condenação de Dantas, o banqueiro conta com apoio político e conivência do STF. O que resta a Justiça é se concentrar em reaver o dinheiro, isso é mais importante que a prisão de Dantas, manter um homem preso não significa tanto para a coletividade quanto reaver o resultado de uma fraude milionária.

Um pouco mais sobre o orelhudo:

Época trouxe uma descrição dos hábitos e comportamentos de Dantas. O figurão já virou uma personagem, o interesse nele agora é também literário, a revista publicou uma imensa reportagem biográfica. Negociador brilhante e geniozinho desde os idos de faculdade, Dantas trabalha das 07 da manhã às 22 horas até nos finais de semana.

Sua carreira acadêmica foi descrita como meteórica. Formou-se na Bahia de onde partiu para Boston. Manteve contatos com célebres economistas no Brasil e no exterior. É famoso por trabalhar em pé, sentado e caminhando. Teria feito seu curso de pós-graduação sem interromper suas atividades como empresário graças ao tempo ganho dormindo em aviões e aeroportos.

Foi vice-presidente do Bradesco e no Icatu fez o patrimônio da instituição passar de Us$ 50 milhões para US$ 180 durante sua gestão. De lá para cá veio subindo na vida e participando de negócios envolvendo Brasília. O final da história: fraude e crimes financeiros. Sua história envolve políticos do período de FHC e Lula.

Resta agora saber quem será o novo figurão a ser desmascarado em mais um dramalhão público que irá terminar, graças ao sistema jurídico brasileiro, sem condenação em um processo interminável.

Os subversivos


"Os subversivos" é o nome que o jornalista J. Bernard Hutton deu ao seu longo ensaio jornalístico sobre a organização de grupos de atuação subversiva ao longo do mundo ocidental nos anos da Guerra Fria.

O livro publica documentos que revelam a participação de uma complexa organização burocrática no interior da antiga URSS para treinar e comandar ações grupais organizadas, orquestrando greves, assassinatos, atentados à bomba.

Os documentos trazem à luz a forma como Moscou tentou desestabilizar as democracias capitalistas ocidentais de dentro. Seja na Irlanda, seja nos EUA, seja no Brasil, seja na antiga Alemanha Ocidental, as ordens eram seguidas de acordo com uma política orquestrada a nível internacional pelo Kremlin.

Os partidos comunistas legalizados eram utilizados como ponto de reunião e recrutamento de subversivos que desligados do partido atuavam nas missões mais ostensivas. O livro foi publicado no Brasil durante a ditadura militar pela Biblioteca do Exército. As denúncias de J. Bernard Hutton foram usadas no nosso país para criar temor e pânico dos comunistas, servindo de justificativa para os crimes políticos cometidos pelos militares. Assim como vasta parte do acervo publicado pela Biblioteca do Exército neste período.

O que acho impressionante desta época é como os movimentos estudantis e revolucionários inundavam a juventude. A juventude que viria após 1968, seria a juventude extremamente mercantilizada que observamos hoje. A morte do discurso comunista acabou com as metanarrativas de vez. Se antes a juventude era facilmente desvirtuada pelo seu excesso de paixão, hoje o individualismo marcante criou uma legião de solitários.

Os documentos do Kremlin se referem assim aos jovens universitários: "os jovens começaram a experimentar novas sensações e ainda não aprenderam como controlá-las", "nos últimos tempos decidiram abandonar a ordem, a lei, e se engajar em militância". O Kremlin atuou na surdina durante manifestos e protestos estudantis nos EUA, qualquer descórdia com os governos era incentivada, fosse com a Guerra do Vietnã, fosse com as drogas do movimento hippie.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

ateus, europa e eua

Nunca os europeus foram tão descrentes. A revista Veja publicou nesta semana uma reportagem sobre religião e política nos EUA e citou a europa como exemplo. Pesquisei dados sobre os europeus. Estatísticas publicadas no Financial Times sobre os franceses indicam o seguinte:

32% de agnósticos. 32% de ateus. 27% de crentes.

A mesma pesquisa aponta que somente 8% dos franceses vão à locais de culto com freqüencia. Outros países da Europa mostram dados semelhantes. Os dados ingleses eu encontrei em sites do governo: 23% são ateus. Na Holanda 29% são agnósticos ou ateus. Mas mesmo entre os crentes quase mais ninguém frequenta as igrejas com assiduidade na Europa.

Nos EUA os dados apontam um rumo completamente diverso do europeu e semelhante ao dos países pobres: 90% da população acredita em deus e 70% vai à Igreja com frequencia. Há dúvidas até da inflência da religião em matéria política. Obama e McCain citam Deus constantemente em seus discursos. Assim como o presidente Bush. Durante as eleições há sempre briga para conquistar os protestantes conservadores, os estrategistas de campanha acreditam que por eles se manterem organizados em sedes de culto são fáceis de se remobilizar para qualquer causa. Obama já foi alvo de diversos constrangimentos orquestrados a respeito de sua religiosidade, a confusão já fez 12% dos americanos acreditarem que ele seja mesmo seguidor de Alá.