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domingo, 24 de julho de 2011

APOTEOSE A U2

Capa do álbum All That You Can't Leave Behind.
"amor é a única bagagem que você não consegue carregar"
(trecho de música do disco)
Depois do sucesso vivido nos anos 80 que se estendeu por algum tempo nos anos 90, a banda de rock U2 voltou ao cenário musical com o álbum All That You Cant Leave Behind lançado em outubro de 2000. O sucesso do álbum se propagou rapidamente pelas rádios e conquistou não só o público casual que escuta hits de rock e pop, mas também os verdadeiros fãs da banda e os demais admiradores de música de qualidade. O álbum foi um acerto tão grande que o sucesso se estabilizou e a  nova fórmula serviu de base para  mais dez anos de acertos. Estamos em 2011 e All That You Can´t Leave Behind permanece atual e os álbuns do U2 continuam com muita qualidade.

Os erros que U2 cometeu nos anos 90 foram causados pela experimentação, contudo, isso não serve de escusa para aqueles que têm medo de experimentar. Em mais de trinta anos de formação e com doze álbuns de estúdio, o grupo mostra um grau de variação digno de quem realmente faz música tendo por base o conhecimento teórico e o talento.  De álbuns minimalistas que pareciam desprovidos de qualquer tecnologia, como The Joshua Tree (1987), a álbuns aflorados como o Zooropa (1993), U2 caminhou de influencias como Bob Dylan e Van Morrison a dance music. Tudo faz parte da história do grupo que não pode ser compreendido sem que se faça uma análise cuidadosa de sua variabilidade.

Árvore de Josué. Sempre solitária.
Deserto de Mojave, Estados Unidos.
O álbum The Joshua Tree (1987) tinha como marco visual uma “árvore de Josué”, espécie da flora do deserto de Mojave, Estados Unidos. O álbum Zooropa (1993) foi marcado visualmente por cores fortes e luminosas, identificadas com a modernidade da música eletrônica, do homem perdido na poesia e na melodia dos barulhos artificiais.  A simplicidade dos corais de igreja do belo gospel americano (música Still Haven't Found What I'm looking For) do primeiro álbum se findou com a luz artificial e o medo da perpetuidade do dia e da vigília (música Lemon) presentes no segundo álbum. Era a clássica ideação do homem contemporâneo perdido em cidades que nunca dormem. Em Lemon o backvocal futurista repete "midnight is where the day begins" (meia-noite é quando o dia começa).


Todas essas vivências em músicos talentosos como The Edge e Bono Vox, aliados de produtores geniais como Brian Enno e Daniel Lenois não poderiam terminar de outra forma que não no amadurecimento e isso gerou o sucesso de All That You Can´t Leave Behind. Agora, dois álbuns depois do marco ressuscitador, U2 precisa voltar a dar saltos sem medo de correr riscos. Só assim a banda será capaz de encontrar fórmulas ricas e modificar mais uma vez a sua identidade.

Nós não vemos a hora de U2 retornar à tentativa e erro, o rock and roll só agradece.

Capa do álbum Zooropa. Cores fortes, brilho e luminosidade.
"através da projeção de luz o homem pode ver a si mesmo de perto".
(música do álbum, referência à projeção de imagens)


domingo, 4 de julho de 2010

Uma pausa para a MÙSICA


Fui ao Festival de Inverno de Pedro II. Como o festival é conhecido pela música de qualidade, fiquei inspirado para escrever um pouco do pouco que sei sobre música.

Minha relação com a música começou com a experiência do rock. Aos poucos migrei do rock para outros gêneros. Como Cazuza, fui para a MPB. Da MPB progredi para a música clássica, para o jazz e para o blues. Até hoje esses gêneros são os pilares do meu templo musical.

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Com a passar do tempo meu ouvido se tornou um verdadeiro pandemônio. Com os recursos que a internet disponibiliza ficou fácil garimpar qualquer raridade. Sou da nova geração e mesmo assim ainda lembro a dificuldade com que se conseguia achar CDs em lojas especializadas ou emprestado com os amigos.


A título de exemplo, é graças a internet que descobri alguns artistas africanos. Esses africanos são excelentes na percussão e no saxofone. Recomendo a todos que escutem um pouco de afrobeat, uma batida meio pro lado do jazz, das músicas de raízes tribais africanas e do funk. Manu Dibango (um saxofonista do Camarões) é o meu preferido no gênero. O grande astro do gênero, contudo, é Fela Kuti um instrumentalista nigeriano que fez sucesso nos anos 70 com seu grupo AFRICA 70. Os negros estão envolvidos nas melhores músicas produzidas no século XX, no EUA eles estão relacionados com o jazz e o blues, no Brasil, com

o samba. Na África, casa dos negros, a criatividade não fica atrás. E Atualmente é impossível rejeitar o hip-hop e a soul music americana.


Com os recursos tecnológicos que possuímos a música produzida em qualquer tempo é acessível a qualquer um e graças a facilidade de reprodução posso fazer uma orquestra inteira tocar na minha sala As Quatro Estações de Vivaldi ou Fuel de Metallica. Em meu musical maluco todos podem dançar na chuva.


Houve uma época, motivado pelo estudo dos compositores clássicos, em que pensei que talvez devesse me afastar da realidade por uns tempos e cultivar os valores musicais do passado. Ledo engano. Nada pode ser mais infeliz do que deixar passar a sua própria época, do que deixar de observar como os seus vão adicionando novas páginas na história da arte. Não é inconciliável Wagner e Bach, nem tampouco o rock e a música clássica. A própria música erudita evoluiu graças a quebra de paradigmas.


E o difícil e divertido é conciliar gêneros musicais antagônicos. As misturas e possibilidades com que se pode trabalhar assustam os mais ortodoxos. Só que ortodoxia é o oposto da heterodoxia que se tornou a complexa música do nosso tempo, que é, quem sabe, a música de qualquer tempo. A qualquer música.


O meu começo com o rock não guardou nada de muito especial, é como geralmente acontece aos adolescentes. Meus amigos começaram a fazer bandas e a ouvir os rockeiros e logo todos estávamos vivenciando o rock como estilo de vida. Como a mãe do Cazuza disse em uma entrevista: "queria que fosse apenas o rock, mas o rock não existe sem o sexo e as drogas". Na minha vida não foi diferente e o meu corpo guarda as seqüelas do que esse trio é capaz de fazer.

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Muitos grandes nomes da música brasileira dos anos sessenta em diante surgiram enquanto o rock explodia ao redor do mundo. Apesar de distantes dos instrumentos elétricos e do som pesado, os nacionais sempre tiveram semelhança, ao menos no espírito, com os rockeiros americanos e europeus. O ambiente libertino, de contracultura, atraiu a mim com um fascínio tão grande quanto fizeram os rockeiros. Ouvir Elis Regina tocar Aldir Blanc e João Bosco é uma memória muito viva do meu passado e um hábito vivo ainda no meu presente.


A música que embala nossas vidas é como a trilha sonora dos filmes, ela reflete nossos sentimentos e lhes agrega carga dramática. Assim, ela é importantíssima e demonstra a forma como percebemos o mundo. Como nos musicais, as letras e as melodias são atos que vão descortinando os acontecimentos da nossa vida.


Ouvir música de qualidade tem valor inestimável. Dançar ao compasso da má música vulgariza nosso espiríto e diminui a complexidade dos nossos sentimentos. A música de qualidade é como um aroma complexo feito da nota de diversos outros aromas que vai mudando ao longo do tempo conforme envelhece, a música simples é como um aroma único, repetitivo, entediante, que não muda com o tempo nem se agrega complexidade. Gosto se discute sim, o importante, porém, é saber que gosto se desenvolve e se aprende. Como uma criança mal educada só come doces, o espírito simples só ouve a má música porque nunca foi guiado por um adulto a testar o gosto dos outros sabores e a aproveitar a variedade dos temperos.

Pois eh! Salve a boa música!

quarta-feira, 12 de março de 2008

O rock and roll




O rock é um estágio da civilização humana, é um fato social e não pode ser negado. Nós somos viventes pós-presley, ou seja, o mundo se divide em antes e depois de Elvis Aaron Presley (se aceitarmos Presley como marco inicial para o começo do rock, podemos muito bem dizer que o rock começou com Chuck Berry).

O rock no começo da minha adolescência significava muito. Eu tinha pai-ausente (todo respeito a ele) e a identificação com ídolos se dá de maneira mais acentuada quando isso acontece durante a adolescência, terreno repleto de paixões. Dentre meus ídolos, o mais marcante é Sid Vicious.

Sid Vicious é com certeza a alegoria perfeita dos riscos que o rock trás para o adolescente, porque ser bom ou ruim, para Vicious, era uma questão de alteridade total, ele só podia ser mau com os outros, nunca com si mesmo. E nem ser mau com os outros o incomodava. Os valores, a vida, para Sid Vicious, não se justificava em lugar nenhum e conseqüentemente ele deveria celebrar o absurdo. O absurdo nos valores reza o seguinte mantra: tudo é possível, tudo é norma! Não há nada que diga que a norma vale pela norma, pois não há autoridade, nem fundamento último qualquer. A participação do sujeito no mundo não deve se reduzir jamais à aceitação de nenhum valor, nem que isso signifique a violência.

Bom, mas o que o rock realmente não tolera chama-se hipocrisia e mentira. Para o rock não podemos mentir para nós mesmos e nem para os outros. Por isso eu confundia a tendência natural das pessoas em se adaptar às normas sociais, quem sabe uma assimilação moral da norma, com o processo da hipocrisia. Durante a minha adolescência eu imaginava o adulto como um ser naturalmente hipócrita, manipulador e mentiroso. Eu devo ter passado bom tempo sem contar uma mentira. Seja nas escolhas mais simples, como a roupa que eu vestia, até as mais complexas como no momento de preservar a minha própria vida e intimidade.

"Roberto Caveira quer ser ruim com ele mesmo. Roberto Caveira é meu amigo, Roberto Caveira também é mala. Saia dessa Caveria você vai morrer tentando" Exemplo de silogismo simples.

Quem nasceu em 1987 mesmo encontrando um mundo livre para amar ainda tinha que mudar muita coisa. E eu fui mesmo desajustado, tinha mesmo meus motivos. Para mim só prestava com o meu desajuste quem não me conheceu deixou o mundo escapar porque eu sempre enxerguei mais longe. No mundo existe uma penca de cegos, são os coitados que me perderam no auge do meu problema porque eu dei conta de mim mesmo e do mundo com a minha porra-louquice.

"mas eu conheço cara mais PUNK do que eu e muito".

"o cara mais underground que eu conheço é o DIABO"


"Paulo Gerson não é ruim. Mas Paulo Gerson gosta de ser andrógeno de propósito. Paulo Gerson tem uma seta tatuada apontando para lá."

"não fume maconha, se fumar, não fume todos os dias. Não cheire cocaína, se cheirar, cheire uma vez por mês. Só use LSD uma véz por ano. JAMAIS, JAMAIS, PIQUE".


SID VICIOUS matou a namorada dele com uma faca e nem se lembrava quando foi interrogado pelos delegados de tão bêbado que estava e tudo para morrer meses depois de tanto que a amava.

Para aonde era que EU ia adimirando este cara tanto quanto um padre admira Cristo?

Se eu tivesse caido nessa competição de punk eu tinha morrido tal qual algum dos meus ídolos. E eu realmente escapei.

Eu sempre disse aos meus amigos brincando:

"SID VICIOUS MORREU PELOS NOSSOS PECADOS E AGORA COMEÇA A NOSSA CIVILIZAÇÂO" SID DIE FOR OUR SINS.

Uma coisa é liberdade e outra é gratuidade.
Paulo Gerson ainda hoje não sabe a diferença entre os dois.
Paulo Gerson é gratuito enquanto eu sou livre, essa é a diferença.